Quantas
e quantas vezes somos obrigados a lidar com pessoas que nos magoam,
nos ofendem? No trabalho, sempre tem aquele colega pentelho com
a língua afiada, prontinho pra falar algo que vai cutucar
lá dentro. Às vezes temos um cliente que fala umas
coisas como que pra duvidar da nossa competência, ou colocar
em cheque nossa capacidade. Existe a opção de nem
ligar, ou de achar que é assunto pessoal.
Sabe quando
alguém ataca? Quando se sente atacado! Mesmo que na imaginação
dele! Geralmente ouço: mas eu não fiz nada! O ser
humano sempre faz alguma coisa. Se alguém me atacou, é
porque eu estou em estado “atacável”. Se alguém
me assaltou, é porque eu estou “assaltável”.
Se alguém me dá um calote, é porque eu estou
“calotável”. O outro é sempre um instrumento
de um algo maior, que chamamos sistema. É o sistema que
dá as direções do que provavelmente irá
acontecer comigo. Indivíduos são meros brinquedos
nas mãos do sistema. Da mesma forma, o agredido também
é agressor, o assaltado também é assaltante,
o caloteado também é caloteiro. E isto não
significa comportamento. Quer ver? Quantas vezes agredimos alguém
ao não abrirmos a boca? Quantas vezes ofendemos pela nossa
ausência? Quantas vezes roubamos, se não dinheiro,
pelo menos o tempo, a paciência, o humor dos outros? Também
não somos nós que agimos assim: somos levados por
um sistema.
Para lidar
bem com aquele que ofende, é necessário percebê-lo
não mais como um indivíduo, mas como um instrumento
do sistema. O sistema sempre está querendo se harmonizar,
entrar em equilíbrio e utiliza todos os meios para demonstrar
isso. Quando alguém ofende, o sistema está dizendo:
perceba onde esta ofensa atinge o que você sente, e aceite.
A dor do ofendido é a mesma dor do ofensor. Os dois fazem
parte do mesmo quebra-cabeça e estão sintonizados
pelo sentimento de dor. Geralmente, este sentimento de dor está
vinculado com a dor da rejeição, do abandono, do
não ser aceito por alguém. Esta dor não precisa
ser curada; precisa ser aceita. Não há culpados
pela dor – simplesmente ela existe, e pronto! Quando nos
cortamos com uma faca, de que adianta culpar a faca, querer quebrá-la?
A faca é muito útil também, e se ela cortou,
foi agente do sistema.
Tudo aquilo
que atinge você, agradável e desagradável,
também faz parte de você. Você só é
atingível se tiver uma ligação interior,
um sentimento parecido com o outro. Ao descobrir e aceitar este
sentimento, você deixa de ser boneco do sistema e passa
a controlar o que quer receber na vida e o que não quer.
Daí, você passa a ter opções. Vai escolher
permanecer “ofendível” ou não! E isto
não é bárbaro?
Theresa
Spyra