Sempre percebi
muito as emoções. As minhas e as dos outros. Até
a dos ambientes... Quando mais nova, muitas vezes ficava incomodada,
assim do nada. Nervosismo, alegria, alívio, tensão,
tudo isso surgia sem explicações. E isso era desconfortável.
Incomodava tanto que comecei a procurar explicações,
através da meditação, estudo de terapias
e auto-observação para entender, perceber e controlar
essas emoções. Acho que as mulheres, de maneira
geral, são mais abertas para as emoções e
se deixam influenciar com mais facilidade... pelo menos é
o que percebo em meu trabalho terapêutico. E esta abertura,
se bem controlada, é muito útil para decidir quais
caminhos tomar, escolher ficar ou não com alguém,
entender melhor o caminho profissional e, enfim, tomar decisões
com mais consciência.
Conforme os
anos passaram, fui entendendo que muitas das emoções
não eram minhas. Todas as pessoas e todos os ambientes
estão impregnados de informações e de energia,
já que tudo é formado por átomos e estes
são informação e energia, sem dúvida.
Uma pedra só é uma pedra porque uma informação
disse: “juntem-se átomos e faça-se uma pedra”.
Logo em seguida, a energia que existe em todos os átomos
atuou e “criou-se” uma pedra. Informações
mais fúnebres, rudes, agressivas, como também humoradas,
alegres, amorosas, existem em tudo e em todos. É como se
estivéssemos nos corredores de uma locadora e observássemos
um DVD. “Hum, isto é comédia...”. “Ah,
este é terror...”. E podemos escolher se queremos
levar este DVD para casa ou não.
Todos nós
temos a possibilidade de perceber essas informações
e essa energia que existe em tudo, uns mais, outros menos. Importante
é perceber que a maior parte das emoções
que sentimos são exteriores e o fundamental: você
pode escolher se levará o DVD para casa ou não!
Enxergamos
uma pessoa mal-humorada e logo o sentimento de incômodo
nos invade. Sentimos que o mau humor do outro pode nos derrubar,
nos atingir, deixar cair nossa motivação. E é
verdade: pode mesmo! Algum colega vem com aquele ar de necessitado
e o sentimento de carência dele nos invade. Não queremos
“deixá-lo na mão”, pois aprendemos que
devemos ajudar os necessitados, mas depois que ele vai embora,
quem está mal somos nós mesmos. Será que
sou obrigada a carregar os problemas que não me pertencem?
Isso ajuda realmente o outro?
É aí
que vemos uma coisa interessante: o sentimento do outro, de alguma
situação exterior, bate dentro de nós e nos
provoca emoções e sentimentos também. O mal-humor
de um provoca o sentimento de incômodo. O “ar de necessitado”
do outro provoca o sentimento de carência em nós
mesmos... Isso é um exemplo. É bem possível
que você não reaja dessa forma, mas com certeza existem
outras atitudes de pessoas que lhe provocam outras emoções.
Será que essa emoção é benéfica
para você? Você consegue percebê-la? Quer passar
esse DVD na tela da sua alma?
Quando falei
que a meditação me ajudou a perceber quais emoções
eram minhas, quais eram “de fora” e como separar aquilo
que eu queria daquilo que não queria, não quis dizer
que é sempre fácil. Além de ser necessário
a real vontade de não rodar o filme de emoções
que não desejamos, existem alguns tipos de sentimentos
que estão profundamente enraizados em nós, vindos
até como herança genética dos nossos antepassados
e, então, existe mais dificuldade de tomar uma atitude
consciente diante delas.
As emoções
hereditárias
O escritor
e espiritualista alemão Eckhart Tolle diz que temos um
corpo de dor. Este corpo de dor não é real, mas
possui informações, arquivos que geralmente rodamos
em nosso DVD. Por quê? Por que será que o ser humano
opta espontaneamente por tomar atitudes, ter comportamentos, sentimentos
e emoções que o fazem sofrer?
No meu trabalho
terapêutico com constelações familiares sistêmicas,
surge uma explicação: por amor. Sim! É verdade!
Amamos imensamente algum membro da nossa família. Às
vezes o papai, às vezes a mamãe, às vezes
um parente mais distante. Por amor, carregamos o sentimento de
culpa do papai, da mamãe ou deste parente... Muitos pais
não puderam dar condições financeiras boas
para os filhos. Isso os deixou muito chateados, amargurados, com
sentimento de culpa. É muito lógico que um filho,
ao crescer, carregue esse sentimento de culpa do pai como prova
de amor a ele. O problema é que este problema não
tem nada a ver com ele. É problema do pai!
Os problemas,
culpas, emoções, tanto positivas como negativas,
que carregamos dos outros se manifestam na nossa vida sem que
percebamos. Depois que entendi quais eram as situações
de fora que me influenciavam e consegui deixar de me influenciar,
comecei a trabalhar essas culpas e emoções interiores,
mas que também não são minhas. E isso é
maravilhoso! Quando olho para dentro, percebo quantas ligações
tenho com meus pais e meus antepassados. Mesmo essas emoções
aparentemente ruins, só estão comigo porque eu aceitei
carregá-las por amor. E quando se descobre isso, é
o momento de deixá-las. A César, o que é
de César.
Assim, pedaço
por pedaço, vão caindo essas emoções
pesadas, como as asas de Ícaro se desprenderam aquecidas
pelo sol. Lentamente, você percebe que é feito de
uma substância muito mais pura e poderosa e essas emoções
e sentimentos não necessitam mais estar com você.
O amor surge e simplesmente se manifesta, sem a necessidade de
forçá-lo, tomar atitudes para agradar alguém,
sem culpar ou condenar aqueles que ainda se deixam levar pelas
falsas emoções... Eles não sabem que elas
são irreais! Mas você, agora sabe...