A
primeira lei do amor, descoberta no trabalho de constelação
familiar sistêmica por Bert Hellinger, diz que todos têm
direito de pertencer.
Dizemos
que o homem é racional. É engraçado, porque
justamente é a razão, a causa da exclusão:
julgamos o certo e o errado. Dizemos que alguém é
ignorante e outro é sábio. Colocamos o mendigo em
nível inferior a nós. Dizemos que os diplomados
são melhores que os analfabetos.
Estas
são as regras sociais; a mente coletiva, porém,
é também a ignorância sistêmica. Quando
escolhemos um lado como melhor, automaticamente outro lado fica
excluído. E isso trará conseqüências
no futuro. No trabalho de constelação vejo diariamente
que a dor da exclusão é passada de geração
a geração. Alguém que foi excluído
deixa uma carga emocional enorme para a posteridade e isso é
transmitido aos filhos, aos netos, aos bisnetos...
Amar
ao próximo como a si mesmo não é uma regra
moral: é, antes, um postulado terapêutico. Jesus
aceitou Maria Madalena como ela era, não importando se
ela pecara. Isso é inclusão. Isso cura e salva!
Dia
desses recebi um e-mail que me deixou muito feliz: uma cliente,
e hoje amiga, com uma série de problemas, mulher forte,
que cuida de três filhos sem um parceiro ao lado, que viu
o seu filho entrar e sair das drogas, dissera que estava em estado
de transcendência, um dia após ter participado de
uma constelação comigo. Ela nem colocou sua questão!
Não trabalhou um problema pessoal! Simplesmente participou
de outras constelações, mas que tinham tudo a ver
com a sua vida, como ela mesma percebeu! Esta mulher forte viveu
o papel de um homem fraco e choroso... e depois sentiu-se na pele
de um homem violento, homicida e insensível... E percebeu
que o amor existe por detrás de toda essa aparência!
O amor não eram as atitudes desses dois homens tão
diferentes. O amor é algo maior, que não é
individual, não passa pelas atitudes pessoais: esse amor
é ditado pelo universo! E quem não o respeita, não
o aceita, sofre...
E
assim, minha cliente pôde assumir uma postura severa com
o filho mais novo, para que ele pudesse enfrentar a vida com a
força própria e não com a força da
mãe... Aprendeu a se colocar: o amor em forma de severidade,
às vezes, e o amor em forma de compartilhar, às
vezes. E o que os outros vão falar, se vêem uma pessoa
ser dura e severa? Tanto faz! E o que os outros vão falar
quando vêem uma pessoa ouvir calúnias e sorrir? Tanto
faz! Ela resolveu não agir para ser aceita pelos outros,
porém, agir da forma que o universo quer que ela aja. E
por isso estava tão feliz! Encontrou o amor que transcende
as atitudes. Ela também se aceitou do jeito que era e parou
de tentar ser do jeito que ela achava que os outros queriam que
ela fosse! Incluindo seus próprios filhos!
A
constelação familiar sistêmica vem demonstrando
o estrago que a necessidade de ser aceito pelos outros provoca
não somente em nós, mas também nas gerações
posteriores. Basta olhar dentro de nós mesmos: como é
difícil tomar a decisão de fazer o que tem que ser
feito, não importando o que os outros vão pensar!
Ao
agirmos pelo que achamos que os outros acham, automaticamente
estamos excluindo um lado nosso muito importante: nossa sabedoria
que transcende o “achômetro”. E então,
entramos em contato com toda a exclusão que existe dentro
do nosso próprio sistema familiar. Todas as pessoas que
foram de alguma forma não aceitas na família, deixaram
suas dores e emoções fortes na corrente hereditária.
Ao buscarmos através de atitudes sermos aceitos pelos outros,
nos ferimos interiormente e entramos em contato com essa dor sistêmica.
A
verdadeira aceitação passa pela própria aceitação.
Erramos muito e também acertamos muito. Dizemos coisas
belas e coisas feias. Ferimos e somos feridos o tempo todo. Agredimos
com palavras e atitudes as pessoas que mais amamos e também
somos agredidos e ofendidos por pessoas que temos muita consideração.
Às vezes nosso marido, pai, mãe e filhos descarregam
um “caminhão de maldade” sobre nós.
Tudo isso é parte da vida e devemos aceitar, não
tentar desfazer o que foi feito. O que foi feito não há
como ser desfeito. Deus também nos dá chuva e inundação;
sol e seca; terremotos e maremotos, milhões de pessoas
morrem em catástrofes... E nunca voltou para desfazer o
que foi feito.
A
aceitação verdadeira passa além desses conceitos
de atitudes. Aceitar totalmente a nós e totalmente os outros,
não importando em absoluto as atitudes deles, nos transporta
para a sabedoria suprema que fará com que tomemos as atitudes
corretas para a situação: duro quando for preciso,
amável e bondoso em outros momentos...
São essas pessoas que são verdadeiramente aceitas.
Theresa
Spyra