Várias
pessoas me procuram por problemas de relacionamento. Ou não
conseguem arrumar um parceiro adequado, ou não se dão
bem com o parceiro atual. Muitos até gostam do namorado
ou namorada, marido ou esposa, e até já vivem há
anos juntos. Mas falta aquele “tchan”.
“Ele
não me olha mais como antigamente” é uma reclamação
corriqueira. “Só pensa naquilo e depois não
tem diálogo, sem papo...”; “Ela é fria
como uma geladeira. Parece que faz até de propósito!”;
“Não sei o que acontece. Vivemos juntos, fazemos
as coisas juntos, mas parece que não há amor. É
só rotina!”; “É incrível! Só
arrumo traste para me relacionar! Será que não vou
conseguir ninguém que presta?”. Este é o time
dos que têm relacionamento. Também tem o lado dos
sem-parceiros. Que é bem grande. Um monte de gente que
arruma e desarruma relações, ou caminha pela vida
em busca do parceiro idealizado que nunca vem, ou carrega nas
costas as mágoas de um grande amor que se desfez em meio
a dores e feridas...
No trabalho
com Constelação Familiar Sistêmica, não
estabelecemos regras de comportamento como é feito em outras
terapias. Não afirmamos que o cliente está preso
ao relacionamento com o pai ou mãe e por isso não
arruma bons parceiros. Nem afirmamos o contrário. Simplesmente
colocamos as pessoas que representam os personagens envolvidos
e deixamos que o movimento aconteça. Por exemplo: num problema
de relacionamento posso posicionar o cliente e seu atual relacionamento.
Subitamente, percebemos que um dos dois estão olhando para
um lado vazio do ambiente, não estão presentes neste
relacionamento.
Quantas pessoas
têm um parceiro ao lado que parece não estar ao lado?
Quantas mulheres sentem um vazio dentro de si, como se faltasse
algo naquela relação, que o companheiro não
preenche? Uma das explicações que a Constelação
demonstra é bem clara: a pessoa que está olhando
para fora da relação está presa a um relacionamento
anterior. Não no sentido carnal, físico. Não
é uma traição como a sociedade gosta de rotular.
É uma ligação emocional profunda que faz
com que aquele homem ou mulher não consiga se entregar
100% porque, por algum motivo, carrega lembranças, dores,
mágoas e talvez alegrias de algum relacionamento anterior.
Aprendemos
com Bert Hellinger, o criador da atual forma de se realizar Constelações
Familiares Sistêmicas, que sempre que alguém é
excluído do sistema, alguém assumirá esta
dor da exclusão posteriormente. Neste caso, um primeiro
amor não foi devidamente aceito, acolhido e esta exclusão
causa a tendência da pessoa envolvida a parecer desinteressada
na relação atual.
O ser humano
confunde amor com posse. Um amante quer ter uma parceira novinha
em folha, como se por detrás dela não houvesse um
passado, dores, mágoas e emoções que ela
carrega consigo. Geralmente ele não percebe isso, porque
também está preso às suas próprias
dores, vontades, mágoas, desejos. Não é possível
ter alguém limpo de sua história. Embora alguém
até possa ser fiel à outra, fisicamente falando,
ele não é nada fiel emocionalmente, quer dizer:
partes dele estão profundamente envolvidas com outros.
Não somente antigos casos, mas também com partes
da mãe, do pai, de irmãos, etc. Vejo, às
vezes, brigas de ciúme entre um homem que não aceita
a excessiva atenção que a mulher dá ao pai,
por exemplo. Ou vice-e-versa.
Esta ligação
com outras pessoas é inerente ao ser humano. Carregamos
dentro de nós, geneticamente falando, informações
que nos impulsionam a nos tornarmos responsáveis, ou pelo
menos ligados a outros membros da nossa família. Isto é
o que Hellinger chama de Amor. É um amor maior que inconscientemente
nos impele a carregar os sentimentos de outro.
Quando vivemos
um relacionamento, ou quando estamos buscando um, é importante
entender este fato. Não temos nem nunca teremos alguém
“virgem” de sentimentos e emoções. Até
porque nós mesmos estamos cheios de sentimentos e emoções
que o outro também terá que compartilhar. Isso,
quando é percebido e aceito, torna o relacionamento sublime.
Acolhemos o nosso amado em nossos braços e sabemos que
além dele acolhemos toda uma história, toda uma
família e antigos amores que também necessitam ser
abraçados e acolhidos.
Olhamos nos
olhos do amado e entendemos que muitas vezes ele carrega responsabilidades
que não são dele. Se fico consciente disso, e ele
também, podemos deixar essas responsabilidades suavemente,
porque ao se revelar à luz, a escuridão desaparece.
Isso quer dizer: só deixamos que emoções
passadas influenciem a nossa vida atual é porque essas
emoções estão camufladas e não são
aceitas. No momento em que isso ocorre, a aceitação
plena, como num milagre o relacionamento ganha um brilho especial,
a pessoa que busca um parceiro encontra alguém digno e
os amantes estão prontos a se entregarem um ao outro, sem
medos, sem cobranças, sem mágoas, amando um ao outro
completamente, como deveria ser desde o princípio.
Theresa
Spyra