Quando
cheguei ao Brasil, em 1995, andava sempre pelas ruas da Vila Mariana,
em São Paulo, e recebia um papelzinho escrito: “tens
problemas?” Achava curioso e depois de perguntar pro meu
marido o que significava, descobri que eram videntes, que se diziam
com poderes sobrenaturais para quebrar encantos, encostos e outras
coisitas. Até aí, tudo bem, afinal, quem sou eu
pra julgar se funciona ou não! Creio que na vida devemos
fazer aquilo que nos adaptamos, nos sentimos bem e... definitivamente,
eu nunca deixaria o meu destino nas mãos de alguém.
Bem,
sou terapeuta e consultora, e aí você pode perguntar:
mas você não está curando pessoas? Eu respondo,
com toda a sinceridade: é claro que não estou! E
explico. Os problemas se manifestam na vida de dentro pra fora,
e não de fora pra dentro. A nossa sábia mãe-natureza
faz com que nossos cabelos sejam pretos ou louros, olhos claros
ou escuros, pele morena ou branca porque dentro de nós
existem genes que predispõem a isso. Tudo que existe na
natureza tem uma razão para ser, existir, acontecer. Se
vemos problemas, pode ter certeza: eles tem uma razão!
E
qual é a razão deles! Bem, para quem acredita em
Deus e acha que tudo no universo é justo e equilibrado,
posso dizer que os problemas demonstram algum desequilíbrio.
Desequilíbrio não é erro, pecado, falta de
merecimento. É simplesmente não estar andando de
acordo com o que a natureza deseja.
Não
existem problemas maiores nem problemas menores. Nem mais graves,
nem mais leves. Tudo é um desequilíbrio, que pode
e é resolvido com a conscientização de onde
está este desequilíbrio.
Respondendo a pergunta acima, a única pessoa que pode equilibrar-se
e acabar com seus problemas é a própria pessoa.
Não importa se acredita em energias, influências
externas, mal-olhado ou seja lá o que for, se existe o
problema é porque a pessoa, de alguma forma desequilibrou-se
e permitiu que ele ocorra. Equilibrando-se, o problema some num
piscar de olhos!
É
simples? Sim, é bem simples. A questão é
o que está envolvido neste equilíbrio... Meu marido
atendeu uma cliente que se dizia cheia de problemas: financeiros
e de relacionamento principalmente. Ele disse pra pessoa escrever
uma carta para o papai e uma carta para a mamãe contando
detalhadamente como estava a vida dela. Nem precisa entregar,
pois era um exercício terapêutico. Bem, sabe o que
ela respondeu: você não teve a vida que eu tive!
Só porque sua família é equilibrada, você
não pode exigir que eu faça uma coisa dessas!
Dá
pra perceber onde está o desequilíbrio? Ele não
argumentou nada, porque é desnecessário, quando
a pessoa não quer enfrentar o seu desequilíbrio,
que passava, nesse caso, em aceitar mentalmente o pai e a mãe.
Simples assim, sem nem precisar realmente falar com eles. Imagine
como ficam essas cargas de emoções conflitivas,
mágoas e dores trabalhando em conjunto com a pessoa, como
sombras, seja na hora do trabalho, no relacionamento, na busca
de um parceiro, no sexo, na educação dos filhos.
Você
acha que, com estas emoções, a vida financeira dá
certo? Que os relacionamentos frutificam? Que educamos os filhos
com coerência?
Pois é... mal sabe esta cliente o passado familiar do meu
marido... E graças a esta história, ele é
hoje o que é...
Por
isso, sempre afirmo: os problemas deixam de ser problemas quando
percebemos a utilidade deles. Eles querem nos dizer algo! Não
existem culpados pelas nossas dificuldades, nem auxiliadores nas
nossas conquistas. Se conquistamos algo, é porque nos equilibramos
dentro do que nossa própria natureza humana quer de nós.
Nem que seja intuitivamente, todo mundo já sabe onde “a
coisa ta pegando”. Toda ação, pensamento ou
emoção que nos traz dor e mágoa, é
sinal que aí está a questão.
Basta
observar. O meu trabalho é auxilliar a pessoa a observar
estas dores, mágoas e culpas sem julgamento, percebendo
que elas são, na verdade, a chave da libertação!
E então, paralelamente, buscamos em conjunto com o cliente,
as alegrias, capacidades, conquistas, que servem de metas para
o crescimento pessoal, financeiro e conquistas nos relacionamentos.
A natureza diz que todo ser humano cresce e manifesta o máximo
de potencial, desde que se permita.
Olhe
um terreno abandonado: aparentemente é feio e degradante.
Mas ao deixar que a natureza faça a sua parte, logo a vida
toma conta deste terreno, a vegetação cresce, os
pássaros voltam, animais surgem, flores nascem... Um homem
com problemas é assim também. A solução
não é curar nada, pois não existe ninguém
para ser curado. A solução é deixar a natureza
se manifestar, e automaticamente este ser humano se desenvolverá
com toda a exuberância possível.