receber e exigir
A ordem do amor entre pais e filhos
envolve ainda um quarto elemento. Os pais são grandes,
os filhos pequenos. Assim, o certo é que os pais dêem
e os filhos recebam. Pelo fato de receber tanto, o filho sente
a necessidade de pagar. Dificilmente suportamos quando recebemos
algo sem dar algo em troca. Mas, em relação a nossos
pais, nunca podemos compensar. Eles sempre nos dão muito
mais do que podemos retribuir.
Alguns filhos querem escapar da pressão de retribuir e
dos sentimentos de obrigação ou de culpa. Eles dizem
então: "Prefiro nada receber, assim não sinto
obrigação nem culpa". Esses filhos se fecham
para seus pais e, nessa mesma medida, sentem-se pobres e vazios.
Pertence à ordem do amor que os filhos digam: "Eu
recebo tudo com amor". Assim, eles irradiam contentamento
para os pais, e estes percebem a felicidade deles. Esta é
uma forma de receber que é simultaneamente uma compensação,
porque os pais se sentem respeitados por esse receber com amor.
Eles dão, então, com um prazer ainda maior.
Quando, porém, os filhos dizem: "Vocês têm
que me dar mais", o coração dos pais se fecha.
Por causa da exigência do filho, eles não podem mais
cumulá-lo de amor. Este é o efeito de tais reivindicações.
Esse filho, por sua vez, mesmo quando recebe alguma coisa, não
consegue tomar o que exigiu.
A verdadeira equiparação entre o dar e o tomar na
família consiste em passar adiante o dom. Quando a criança
diz: "Eu tomo tudo, e quando eu crescer, eu darei por minha
vez", os pais ficam felizes. A criança, no seu dar,
não olha para trás, mas para a frente. Os pais fizeram
o mesmo. Eles receberam de seus pais e deram a seus filhos. Justamente
pelo fato de terem recebido tanto, sentem-se pressionados a dar,
e podem igualmente fazê-lo.
Bert
Hellinger