Um
dia uma mulher percebeu que a sua menstruação não
vinha. Sua cabeça entrou em parafuso: não é
o momento! Como isso foi acontecer! Não estou preparada
para assumir esta responsabilidade, justo agora...
Como isso foi acontecer? Bem, na verdade, na verdade, ela sabia.
E não é que deu muito prazer? Mas um filho, isso
não era planejado. Então ela olhou aquela barriga
que ainda não aparentava abrigar uma nova vida... Houve
um esparmatozóide, presente do homem com quem ela se relacionara,
e seu organismo acolhera justamente aquele sêmen vencedor.
Três semanas de vida, o embrião com seus imponentes
dois milímetros de tamanho. A mulher então lembrou
que um dia ela estivera nesta posição: um pequeno
embrião perdido na imensidão das trompas de sua
mãe. Não é que sua mãe morresse de
amores por ser mãe... pelo contrário. Também
fora uma gestação complicada, amargurada, recheada
de mágoas e lágrimas que sobreviveram até
hoje. Mas lá estava ela! A vida se perpetuara! E agora
era a vez dela... O que fazer? Tirar? Perguntar ao homem? Bem,
o homem já havia feito o seu papel como fornecedor do sêmen.
A questão, agora, era com ela.
E então ela escolheu. Escolheu a vida, que lhe fora dada
com amor. Não o amor de uma relação sexual,
mas o amor supremo, mágico, que permite que duas vidas
distintas, um espermatozóide vivo e um óvulo vivo,
se transformem em um outro ser humano – vivo!
Observando
as nossas menores células, entendemos que elas têm
vida. Porém, elas, na realidade, não têm vida
própria: fazem parte de um sistema vivo e interligado,
e aí sim podemos dizer que a vida delas só existe
por uma função. Qual função? O equilíbrio
de todo o organismo para, todas as células em conjunto,
manterem o corpo inteiro vivo.
Imagine uma célula, viva: ela é formada por partículas
sub-atômicas, também vivas, que não podem
mais serem consideradas matéria, mas que possuem uma função
– manter o universo em equilíbrio. Nós estamos,
a cada instante, trocando partículas sub-atômicas
com o universo e vice-e-versa. Se o nosso corpo biológico
morre, não importa, porque na verdade as partículas
continuam vivas e correm a se agregar em outras estruturas. Uma
casa destruída vira areia, e esta areia irá formar
novas diferentes formas na natureza: nada se perde, tudo se transforma!
Quem é que determina isso? Quem é que diz que a
vida universal é assim e estas são as regras? Sei
lá! Algo maior que a nossa mente, mente que mal consegue
entender que ela só está aqui porque existem outros
seres e que todos dependemos de todos.
Dependemos do nosso pai, da nossa mãe, se não financeiramente,
pelo menos como membros de um sistema que deseja apenas a harmonia
e a vida. Dependemos do nosso chefe que, seja bom ou não,
também faz parte do sistema. Dependemos dos políticos
e chefes de governo, e tanto faz se são honestos ou não:
eles são parte do sistema. Dependemos dos nossos filhos,
sejam eles responsáveis ou não, pois eles serão
a continuidade da vida, dentro da nossa família. O que
cada uma pessoa destas faz, interfere no todo. Cada movimento
que você faz, interfere no todo.
Lei
da atração: posso atrair tudo?
Não,
se for a mente que deseja. Sim, se for o coração
que já reconhece possuir. A mente humana é geralmente
individualista, não vê o que já possui, quer
se destacar e ser reconhecida por papai, mamãe, chefe,
amigos, marido, esposa, filhos, sociedade... Mas que raios! Acabei
de explicar que o homem é um ser conectado a tudo e a todos,
e só está vivo porque existem estas relações
e sistemas que nos sustentam! Não existe indivíduo
separado, por isso, ser reconhecido por quê, para quê?
A mente que deseja quer coisas para se destacar do próximo.
Os hábitos de consumo de uma pessoa da classe B, aqui no
Brasil, se fosse adotado por todos os habitantes da Terra, traria
a necessidade de mais três planetas como o nosso para sustentar
tamanho desperdício. E infelizmente, não dispomos
de outros planetas habitáveis nas proximidades...
Vamos dizer que todos têm o potencial para conseguir bens
materiais, isso é obóvio (como diz a Emília,
do Monteiro Lobato). Mas se todos atrairem os bens materiais na
velocidade que está crescendo o mundo econômico atual,
sinto informar que nossa vida como seres humanos está fadada
a se transformar rapidamente em vida como areia, pedra, água
e outros sistemas mais inteligentes que não se auto-destróem.
Não que isto seja ruim: as pedras, areia e água
agradecem a colaboração! Em suma, o homem não
deve mandar no universo, já que ele é simplesmente
filho do universo, e não dono. Um filho nunca manda no
pai, não importa se está satisfeito ou não
com a sua vida material ou emocional que possui.
A
lei da atração é amor
A lei da atração
verdadeira é aquela que flui do coração.
É o nosso coração que sabe qual a real missão
que viemos desempenhar neste planeta. Se sou uma célula
do universo, qual é o meu papel para com este universo?
A resposta é fluir: se realmente estamos de acordo com
a nossa missão, a vida passa a fluir como um rio flui para
o mar. A lei da atração começa a funcionar
quando a mente deixa de querer e o coração começa
a querer ardentemente a vida! O prazer sublime se manifesta neste
estado. Então, a mente passa a aceitar as coisas como elas
são, e o coração passa a abraçar a
vida, e isto significa abraçar seus pais, como eles são,
acolher a vida e a morte, o sofrimento e a alegria, o crédito
e as dívidas, a saúde e a doença. O coração
não se vê como um indivíduo, mas se vê
como responsável pelo todo. Por que querer aquilo que não
preciso? Por que não aceitar aquilo que preciso? O coração
sabe dar, e também sabe receber: é este equilíbrio
que gera a fartura de sempre se ter o que precisa. É este
equilíbrio que gera o prazer de viver, a vida harmoniosa,
relacionamentos sinceros. O coração se preenche
com o simples, embora aceite também o complexo. O coração
gosta de relacionar-se, entender o outro, aceitar as diferenças,
trabalhar não para ser aceito, mas em gratidão por
estar participando desta vida tão bela. O coração
bate. O coração é vida. Vida é ação,
movimento. Mover-se rumo à missão que o universo
nos concedeu é a única felicidade que existe. Aí
sim tomamos posse da nossa vida. E atraímos a realização!
Alex
Possato