Na
natureza, as coisas não funcionam com certo ou errado.
Simplesmente funcionam. Um morro não pensa se é
certo desabar num dia de chuva: simplesmente desaba, matando crianças
e adultos, levando à destruição e propiciando
a reconstrução. A mente, como parte integrante da
natureza, também é assim. Não importa o que
é certo ou errado. A função básica,
biológica da mente é a auto-preservação.
E tudo o que é feito contra a auto-preservação
– cobranças, sentimento de culpa, de erro, causa
dor. A dor leva à destruição aparente e propicia
a reconstrução da vida, dos rumos, das decisões.
Geralmente é assim que o homem aprende: coloca um monte
de certos e errados na cabeça, provocando culpa e medo,
querendo construir um mundo onde não existiria dor. O homem
busca a estabilidade do emprego, a segurança do condomínio,
o conforto de um bom plano de saúde, a esperança
de uma velhice tranqüila com uma aposentadoria privada. Se
o homem busca desesperadamente a segurança e a estabilidade,
vive, logicamente, morrendo de medo que ocorra algo que quebre
esta segurança e estabilidade. Focando no medo, o que é
que pode aparecer? Mais medo!
O mundo vai continuar a derrubar seus morros. As doenças
chegam, a morte se aproxima. Ganha-se dinheiro, perde-se dinheiro.
O sol nasce, a noite vem. Tudo é cíclico, e pensar
em fazer um mundo estável e imutável, é contra
a natureza. Não é errado querer a segurança
pois, como foi dito, é um instinto natural, o da auto-preservação.
Mas deixar-se dominar por esta função básica
retira todo o prazer da vida, pois passamos a jogar o jogo na
retranca, na defensiva, sem arriscar, com medo de perder.
O máximo que podemos perder na vida é a... vida!
E viver na defensiva não é viver. Portanto, para
quem vive na defensiva, não há nada a perder.
Os neurotransmissores que dão prazer e excitação
ao homem só são acionados quando colocamos desafios
a nós mesmos – e estes desafios podem ser absolutamente
simples, como falar com alguém com quem temos medo de falar,
ou usar uma roupa que nunca tivemos coragem de usar...
Deixamos de ter prazer na vida porque ficamos presos no medo e
na desculpa proveniente do medo, que é estabelecer um monte
de certos e errados. Com as desculpas do que devemos fazer ou
do que não devemos fazer, nos condicionamos a agir somente
se houver um resultado previsível e... certo!
Resultado previsível e certo não existe! Não
é possível saber se estaremos vivos nos próximos
minutos! Por isso, o que é possível fazer é
viver o agora, neste exato instante, nem um segundo a mais, nem
um segundo a menos.
Fazer, porque pode ser que não tenhamos mais oportunidade
de fazer no futuro. Agir mais e pensar menos. Deixar o senso de
“auto-defesa” apenas para os momentos reais de perigo,
quando a vida está em risco – e olha que na sociedade
moderna são pouquíssimos estes momentos!
A regra do jogo é... jogar!
Alex
Possato