Esta
frase sempre ficou na minha cabeça. O que é amar
o inimigo? Como amar alguém que não gosta de você?
Então cresci, e percebi: quem é que não gosta
de mim? Será que alguém não gosta de mim?
Por que eu penso isso?
E eu: será que eu gosto de mim?
Sempre
fiquei muito ofendido quando clientes diziam coisas que me perturbavam,
ou me tratavam com arrogância. E trabalhando em vendas,
toda hora eu ouvia coisas que não gostava. Até que
comecei a perceber onde ecoavam as palavras que não gostava.
Ecoavam no meu próprio sentimento de rejeição,
na minha baixa auto-estima. Percebi que não havia ninguém
que não gostasse de mim. Os clientes que me perturbavam
nem lembravam da tal frase que ficava ecoando na minha mente.
A
única coisa que havia era a minha mente repetindo: você
não presta, você é devedor, você não
está a altura... E as palavras que vinham de outros doíam,
porque dentro já estava ferido. Curei a ferida, acolhi
a mim mesmo. Vi que não tinha a necessidade desesperada
de ser aceito, que eu tinha – e por isso me magoava quando
era repelido. Vi que não precisa aceitar ninguém,
nem repelir ninguém. As pessoas vão e passam na
minha vida. O instante que elas estão comigo é apenas
o momento presente. Depois, passou... Se as experiências
foram boas ou más, passavam, e eu não me apegava
ao sentimento nem de satisfação, nem de mágoa.
De repente, estava me amando. Cadê o inimigo?
Alex
Possato
24/02/2007