caminho do silêncio  
 
   

Quando os sábios chineses falavam sobre o silêncio, o vazio, há mais de 6.000 anos, pode-se dizer que a vida naquela época era muito mais propícia ao encontro da própria essência, já que não havia sirenes de ambulância, aviões sobrevoando os telhados, o rádio ligado a toda, sons de motores, celulares tocando... O silêncio, de certa forma, fazia parte da sociedade.
Mas será que eles falavam deste silêncio exterior?
Não, absolutamente, não. O barulho que incomodava os sábios há tanto tempo atrás existe até hoje, e pode nos levar à neurose, às fobias, aos medos, às angústias, aos julgamentos errôneos... é o barulho da mente. Desde aquele tempo, e provavelmente já há 6 milhões de anos, quando os homens-macacos começaram a criar suas primeiras “neuras”, a mente inquieta incomodava a descoberta do silêncio interior.

O que significa este silêncio?
Este silêncio é a origem de tudo. É o contato com o Todo, que somos. É a descoberta da potencialidade infinita que nos é concedida eternamente. É o berço das emoções prazerosas, do amor e do deleite. É o nada, e por isso é o Tudo. Este silêncio convive com toda esta aparência material que percebemos com nossos órgãos dos cinco sentidos (e até o sexto) e não se abala em nada. O silêncio existe na dor, na guerra, no assalto, na doença. O silêncio existe no amor, no sexo, no prazer, na oração. O silêncio existe no aqui e agora. O silêncio não se extingue. Todo o resto sim.

O não julgar
Poderíamos dizer que um monge, preso à rotina do monastério , longe das vicissitudes da vida, está mais propício a encontrar este silêncio. Mas isto não é a realidade. Qualquer um está em posse deste silêncio. Como foi dito, o silêncio não é exterior, é interior. E a nossa vida aparentemente caótica é o melhor monastério que podemos querer para viver o silêncio, ou pelo menos, estar em contato com o silêncio.
Observe a fila no caixa do supermercado. Olhe atentamente cada pessoa, cada gôndola, cada gesto. Ouça. Sinta. E não julgue, em hipótese nenhuma. Simplesmente perceba este “filme” passando, e sinta internamente o que ele lhe provoca. Não julgue suas sensações também. Podem ser incômodas, ou alegres, ou de insatisfação. Deixe-as ser o que são. Todas as sensações só têm o valor que damos a ela. Se não damos valor nenhum a elas, elas se desfazem como a fumaça de um cigarro no ar.
Faça isto no trânsito, em casa, no cabeleireiro, nas refeições. Aja assim com seu marido, seus filhos, seus colegas de trabalho. Observação sem julgamento. Você irá perceber, pelo menos em algumas vezes, uma enorme leveza que o não julgar proporciona. Uma imensa sensação de satisfação.
Esta satisfação lhe dá poder. O poder da sabedoria, do saber escolher com propriedade e utilizando o lado criativo do cérebro. Aprendendo a utilizar este poder, adquire-se um feeling que permite saber a hora de parar uma discussão, quando escolher tomar uma decisão importante, qual o melhor caminho para ser tomado. Tudo isso sem pensar. Tudo isso sem estresse mental. Feeling é sensação, não é diálogo interno.
Assim, a vida transforma-se repentinamente num jogo de cores, vibrações, sensações, oportunidades. As dores desaparecem. O medo desaparece. A insatisfação desaparece. A sabedoria de 6.000 anos atrás encontra o ser humano do século XXI, trazendo-lhe um benefício que toda a modernidade tecnológica não é capaz de dar: a paz interior.

Alex Possato

 
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