O
“mundo” é cheio de cobranças. Já
antes de nascer o ser que está por vir é exigido:
tem que ser menino, tem que ser menina, vai ser médico
ou advogado, espero que tenha os olhos do meu avô, nasça
com tal peso... O tempo todo colocamos as próprias expectativas
em cima dos outros, na esperança de que eles irão
realizar os nossos sonhos. Sem dúvida, não se trata
de maldade. Trata-se do desejo intrínseco da própria
realização através de outra pessoa... Contraditoriamente,
isto significa a desistência da realização
em si mesmo! “Eu não consegui, porém, vai
ter outro que conseguirá!” Mas quem é que
pode curtir o sonho realizado por outros?
Relações
de cobrança mútua
A cobrança pesa no coração
de cada ser humano. Alguém espera uma coisa de mim e, assim,
eu posso esperar de alguém – é o que somos
levados a acreditar. Criamos “correntes de cobrança”
e de dependência culposa. Fiz por você, agora você
me deve! Quantos relacionamentos não são baseados
neste sentimento de cobrança mútua?
Tanto nas situações externas, como no relacionamento
interno, no seu diálogo interior, existe esta atitude.
Pensamos: fiz uma coisa boa, agora mereço ser reconhecido!
Ah, não fui reconhecido... também, eu não
sou bom o suficiente... Vivemos na expectativa de sermos aceitos
pelos outros. Aceitos pelo que fazemos externamente, não
pelo que somos verdadeiramente, em nossa essência.
Queremos
fazer o certo. Certo para quem?
O mundo nos cobra o “certo”. Primeiro
são os pais, os parentes, os professores e... logo, logo,
somos nós mesmos que cobraremos resultados melhores para
nós mesmos (o certo), julgaremos todos os acontecimentos
(certo ou errado)... para chegar onde?
E se eu fizer tudo certo, de acordo com os meus padrões,
se eu me empenhar ao máximo, onde posso chegar? O que posso
alcançar com isso? Felicidade? Reconhecimento? Satisfação?
Equilíbrio? Segurança? Controle do futuro? Controle
sobre os outros?
Sempre vai ter alguém que não gosta
do que estamos fazendo. O sucesso não é garantido
fazendo tudo certo, porque o certo para mim não é
o certo para o outro. Mesmo assim o ser humano insiste neste caminho:
“se eu fizer certo” vou ser recompensado. Aí
vem a auto-crítica: “então, se não
está certo, como é? Está errado?!?”
A humanidade sofre com a idéia de estar errada, de ter
que melhorar, de ter que se elevar espiritualmente, materialmente...
Para atingir o quê?
Mais
“certos” do que já somos?
O que podemos ser mais que o Todo?
O que podemos saber mais que a nossa própria natureza,
a nossa essência?
O que podemos alcançar que já não somos?
Bastaria abrir os olhos (coração)
para o que nós somos: essência pura, perfeita, ilimitada
e infinita. O que pode ser acrescentado a isso? Podemos somente
dar forma à verdadeira natureza que somos.
Como? Mudando o foco! Tirando o foco do lugar
onde vemos falta, escassez, o “certo e o errado” e
colocando onde tem abundância: no nosso próprio interior,
que é sempre certo. Entregando-se à perfeição
que você já é. Todas as respostas já
estão dentro de você. Para descobrir as respostas
que precisa, basta perguntar. Porém, não pergunte
com a mente. Pergunte com o coração! E deixe que
a resposta venha pelo coração... Sem pressa, sem
angústia, sem cobrança...
Theresia
01/05/2007