o "segredo" é a força possibilitadora!  
 
   

Júlia é uma senhora de origem japonesa. Ao ver atentamente uma cena de um filme, onde apareciam as centenas de garimpeiros em Serra Pelada, carregando pesados sacos de terra molhada nas costas, não teve dúvida em dizer: “meu Deus! Quanto sofrimento!” Não era para menos: o caminho era visivelmente complicado. Escadas rudimentares sustentavam o peso de até 10 pessoas ao mesmo tempo, e não raro, sujeitos se desequilibravam em meio à lama e despencavam buraco abaixo. Dona Júlia estava certa. Era um grande sofrimento.

Pedro era um dos garimpeiros que aparecia na cena. Já estava neste trabalho há mais de seis meses, e mal tinha dinheiro para sobreviver. Sua mulher e filhos ficara no interior de Perambuco. Para ele estava tudo bem. A miséria e a dificuldade de sustentar sua família trabalhando na roça o levou a arriscar esta longa viagem e estunuante missão. Ele abraçou o trabalho com unhas e dentes, e apesar dos seus movimentos lentos, pelo peso do saco que carregava, estava tranqüilo e confiante: uma hora eu ganho uma bolada e volto para minha casa! Não havia raiva nem desgosto em realizar este trabalho, pois ele escolhera. Na sua simplicidade, Pedro sabia que escolhera cada passo da sua vida, desde criança, e não havia por que reclamar. Não havia nenhum sofrimento. Pedro via somente oportunidade.

A cena era a mesma, em Serra Pelada. A imagem era a mesma, o trabalho era realmente duro. Júlia viu sofrimento. Pedro viu oportunidade. Os dois estavam certos. Mas como isso? Como pode a mesma coisa ser vista de forma completamente antagônica? É bem simples: aquilo que pensamos é tradução daquilo que vibramos em nosso interior. O pensamento, em si, não tem realidade: ele é uma tradução de sentimentos e emoções interiores que carregamos. Dona Júlia, com seus 75 anos, desde criança se achou discriminada pelos pais. Tinha ciúme das irmãs. Com algumas experiências sexuais prematuras, encheu-se de culpa e por isso não encontrou bons parceiros. A vibração interior dela sempre foi pessimista, e o sofrimento que ela viu na cena da Serra Pelada era o seu sofrimento interior. Ela vibrava sofrimento, e o pensamento acompanhou esta vibração. Já Pedro teve uma infância paupérrima, mas ele percebia o esforço dos pais em tentar sustentar a família. Passou fome, mas nunca desistiu. Cedo saiu de casa para trabalhar em lugares mais propícios. Não teve muitos bens, porém, nunca desistia. Casou-se, estava com quatro filhos, e ao saber do garimpo em Serra Pelada, não teve muitas dúvidas: é para lá que eu vou! Ele vibrava sempre vontade, esperança, oportunidade.

Alinhar vibrações que trazem crescimento pessoal aos pensamentos que possibilitam também o crescimento pessoal é o “segredo”! Lá no fundo, bem no fundo de Dona Júlia, há a vibração de amor e crescimento, que é natural no universo. Todos os seres vivos crescem, se desenvolvem, realizam-se no máximo de suas potencialidades, porque isso é natural. Porém, esta vibração “pura” e possibilitadora pode começar a ser encoberta por sentimentos de insatisfação perante a vida e, principalmente, perante os pais. Só podemos interpretar a vida e os pais com pensamentos que comparam “aquilo que temos” com “aquilo que achamos que deveríamos ter”. Esta comparação é irreal, já que todo pensamento tem dois lados opostos, como vimos no caso acima, entre Dona Júlia e Pedro.

Vibração interior possibilitadora

Quando direcionamos nossos pensamentos em busca daquilo que achamos que não temos, por exemplo, amor dos pais ou do parceiro, respeito dos filhos, dinheiro, saúde, compreensão dos colegas, estamos acionando as vibrações interiores limitantes. O que é isso? São as vibrações (conjunto de sentimentos, emoções) que estão registradas em nós através dos tempos, originadas de mágoas que tivemos, brigas, rejeições. Não cabe aqui analisar se estas mágoas são justificáveis ou não, justas ou injustas. Isto tanto faz, porque, novamente, entraremos na comparação entre um pensamento e outro, e pensamento tem peso diferente. Michael Jordan, talvez o maior jogador de basquete que já existiu, foi cortado do time da escola. Se ele ficasse preso na mágoa da rejeição, não chegaria onde chegou. Mas ele fala: “Meu conselho é encontrar combustível no fracasso. Às vezes, o fracasso o aproxima de onde você quer estar”.
Assim, como Pedro, ao vibrar todas as situações como oportunidades, acionamos a vibração interior possibilitadora. Possibilitadora de quê? De prazer, de sucesso, de equilíbrio...
A vibração interior limitante também funciona. Mas funciona para trazer aquilo que não traz prazer, porque está conectada com os sentimentos e emoções de rejeição, ou seja, no sentimento de insuficiência, naquilo que achamos que não temos.

Pensar e vibrar por possibilidades

A vibração é muito mais forte que o pensamento. Pensar positivo não significa realização, se a vibração interior não indicar a vontade de ser feliz, de se superar, de arriscar, de buscar desafios, de se realizar... Pensar significa muito pouco. Para vibrar possibilidades, é necessário olhar para dentro, e não para fora. Utilizar inclusive o pensamento para rastrear todas as emoções que estão influenciando a vida, e atraindo coisas agradáveis ou desagradáveis. Uma coisa é certa: se vemos sofrimento e dores no mundo, é porque esta dor e sofrimento está dentro de nós. Mas não tem problema em ver e ter sofrimento dentro, porque todo mundo tem. Todos os grandes iluminados, como Jesus, Budha, Santa Teresa de Ávila, Nisargadatha, Krishnamurti, Vivekananda, Lao Tsé, Rumi, entre tantos outros, sofreram muito mais do que imaginamos... A diferença? É aceitar o sofrimento e... buscar o seu caminho de possibilidades!
Michael Jordan buscou o seu caminho no basquete. Edson nas invenções. Einstein na física. E Pedro buscou no garimpo. O pensamento de todos eles, o meu e o seu, volta e meia traz a tona algum sentimento de rejeição, de culpa, de medo. Porém, se existe o direcionamento da vibração interior rumo à possibilidade, rumo à auto-realização, ele deixa de ser importante. Walt Disney passou a vida toda atormentado com a possibilidade de ter sido um filho adotivo, porque sentiu-se rejeitado pelo pai. Porém, ele utilizou esta emoção que trazia sofrimento para ele como combustível para criar idéias que pudessem alegrar as crianças.

Lá no fundo, não há um só ser humano que não possua a vibração natural de se realizar, ser livre, criativo, produtivo e, sobretudo, amoroso! Entrar em contato com esta vibração natural faz com que superemos todas as emoções que nos magoam. Olhar para dentro, através da meditação, introspecção, oração, retiros, passeios na natureza, exercício de arte, pode facilitar a percepção desta vibração original, que no fundo é amor, a essência de todo o universo. Porém, sobretudo buscar o diferente, caminhar passo a passo, olhar-se com amor para poder olhar o próximo igualmente com amor e querer se realizar e AGIR, ah..., isto é extremamente gratificante!

Alex Possato

 
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