Alguma
coisa dentro de nós quer dar certo. Isto significa ser
aceito. Aceito por quem? Pela família, em primeiro lugar.
A família é sempre a ligação mais
forte que todas as pessoas têm. A criança faz de
tudo para ser aceita, do seu jeito, para poder pertencer, poder
fazer parte. Aprendemos este comportamento desde pequenos.
Isto é
o sistema familiar: a necessidade natural de perpetuação
da família. O grupo familiar é um sistema vivo que
age através de energias que estão sendo percebidas
pelos membros do sistema. Todas as pessoas se sentem ligadas à
sua família, ao sistema ao qual elas pertencem. Ser aceito
pela própria família significa dar certo. Quando
esta aceitação não acontece, surge o sofrimento.
Quando a criança
não se sente aceita, carrega dentro de si, para sempre,
uma carga que relembra o fracasso. Mesmo tendo sucesso na vida,
este “fracasso” com os pais, com a família,
pesa demais, é quase irrecuperável, enquanto não
acontecer a harmonização entre os membros. Na tentativa
de compensar essa dor, a pessoa tenta dar certo em outras áreas,
se destacar, porém, isto acontece sempre através
do esforço mental e emocional, não naturalmente
e isso requer um grande esforço.
A busca que
está por detrás deste comportamento é a aceitação
pelos pais. E às vezes eles falam “não”.
E isto não é contra o filho! Eles têm os seus
próprios motivos, as próprias malas para carregar.
Os filhos costumam esperar que os pais sejam totalmente livres
para eles, porém os pais, pelo lado deles, também
estão envolvidos em outras histórias do passado,
que os filhos desconhecem. Isso agrava a possibilidade de manter
o coração livre e viver no momento presente.
Os
pais cobram os filhos
As ordens
são invisíveis aos nossos olhos e quando reveladas
acalmam o coração e mostram o lugar de cada um no
sistema. Isso muda a compreensão e centra a pessoa no que
ela é, nas suas decisões, faz ela pertencer. E quem
pertence ganha força e segurança.
Todos os filhos
desejam ser aceitos. Querem ouvir: “eu gosto de você”;
“você é um ótimo filho”; “você
é capaz”... E os pais às vezes dizem isso
quando falam com outras pessoas sobre os seus filhos, mas para
mostrar para o mundo que eles deram certo como pais! Mas para
os filhos, reclamam das atitudes deles: “você não
está nem aí comigo!”; “porque não
me visita mais?”; “você está ganhando
dinheiro com seu trabalho?”, “você não
educa direito os seus filhos... no meu tempo não era assim!”.
Muitas vezes
todo o esforço do filho não leva a nada. Ele queria
tanto ser reconhecido, não pelo trabalho que faz, mas porque
ele é filho; isto já bastaria. Os pais esperam os
filhos darem certo socialmente para poderem ter orgulho deles.
Seria uma comprovação que a educação
deles deu certo! Isso ocorre porque geralmente os pais têm
pouca certeza sobre o que estão fazendo na educação.
Culpam-se o tempo todo! Para muitos fica difícil aceitar
um filho plenamente somente por ser filho.
Os
filhos cobram os pais
E os filhos
pensam: os pais estão velhos, não entendem das coisas,
vivem no passado e não conseguem acompanhar a velocidade
do mundo. Eu consigo, eu sou esperto!
Qual filho
consegue aceitar plenamente os pais, a maneira como pensam, agem,
como eles são? Afinal, o filho muitas vezes tem mais estudo
e parece “melhor”. Mas a hierarquia permanece, e é
necessário respeitá-la. O pai veio primeiro, deu
a vida ao filho; isto lhe dá mais direito. Não um
direito sobre o filho. Mas direito como pai, e como pai ele pode
ser do jeito que quiser, não precisa da aprovação
de ninguém. Não cabe ao filho julgar, somente respeitar.
Os pais são assim.
Não
lhe é de direito querer mudar seus pais, especialmente
se eles não solicitam a ajuda do filho. Afinal se trata
da vida deles. Isto não significa que o filho precisa concordar
com a opinião dos pais, basta respeitar, aceitar: meus
pais são assim!
O
respeito não pode ser comprado
Nos dias de
hoje presenciamos muito desequilíbrio nos relacionamentos
familiares. Até parece que as coisas se inverteram. Quantos
pais estão preocupados em ser aceitos pelos próprios
filhos? Se sentem rejeitados pelos filhos, muitas vezes já
desde a infância. Os pimpolhinhos não obedecem, parecem
ser mais fortes e insistentes que os pais, têm as rédeas
nas mãos, são eles que mandam nos pais. É
muito doloroso para um pai e uma mãe não terem a
autoridade como pai ou mãe. Eles querem desesperadamente
ser aceitos pelos filhos, por isso compram a atenção
deles com brinquedos, video-games, viagens, roupas, carros, etc.
Mas o respeito não pode ser comprado. E quando os pais
não respeitam os próprios pais, como eles podem
esperar ser respeitados pelos próprios filhos? Eles não
transmitiram esse sentimento para eles. Nem em palavras, nem em
ações.
Pai
tem o papel de pai. Filho tem o papel de filho
Há
inúmeras razões que levam alguém a se afastar
dos pais, de não respeitá-los. E normalmente as
pessoas acham que este afastamento não tem influência
na vida deles. Porém, nenhuma pessoa que conheci até
agora conseguiu esquecer de seus pais, até os que não
os conheceram fisicamente. E não importa se foram bons
ou não. É o vínculo mais forte que existe.
Para um filho não há nada mais importante que os
pais e a aprovação deles. Não se trata de
gostar, de amar, de fazer tudo para o filho. Trata-se de fazer
o papel do pai: educar, exigir, conduzir para que o filho consiga
fazer a mesma coisa.
Os pais não
devem esperar nada de volta, a não ser simplesmente que
os filhos passem para a frente o que receberam de bom. Filhos
precisam de pais presentes. Isso não significa um pai que
está em volta do filho 24 horas, mas um pai que quando
está com o filho, está realmente, e que passa para
ele o significado de ser filho, mostra que ele o vê (não
que o filho está sendo controlado). Uma criança
que se sente vista, se sente segura e protegida, e assim desenvolve
mais força para a vida, está mais presente na própria
vida e indubitavelmente será centrada e feliz. É
muito bom se sentir apoiado na vida. Para isso os pais não
precisam fazer nada: basta aceitar os próprios pais e mostrar
as ligações familiares para os filhos. Mostrar que
eles fazem parte de um todo. E que a existência deles é
muito importante.
Theresia