Deus
enviou-me este presente. Não estava embrulhado em papel
especial, e nem embalado em caixa ornamentada: era simples, como
são simples todos os presentes que Deus envia. Não
veio pelos correios, porque o serviço de entrega divino
é muito mais rápido: de tão rápido,
é instantâneo, e funciona no momento em que você
percebe que ele já está na porta, batendo, com a
encomenda que você nem teve tempo de pedir nas mãos.
A maior parte das vezes as pessoas estão ocupadas, não
atendem à campainha e perdem a oportunidade de receber
o mesmo presente que agora está em minhas mãos.
É um presente divino, afinal – perdoem-me o trocadilho,
veio de Deus! O mais incrível é que tive a oportunidade
de receber este mesmo presente milhares, milhões de vezes,
mas raríssimas vezes o aceitei, e mesmo assim, quando estive
com esta dádiva em minhas mãos, joguei-a rapidamente
fora, sem perceber o seu imenso poder.
Como disse, é um presente simples, sem forma, sem prazo
de validade, sem tamanho definido. Eu até arriscaria dizer
que recebi o nada, embora ele seja o tudo. Eu já entendera
que aquilo que vem de Deus não pode ser explicado com palavras,
formas ou noções formadas na mente. Qualquer idéia
que eu queira dar ao meu presente, que também é
seu, não passa de uma ilusão criada pelos meus pensamentos,
que são tão ilusórios como todo o resto que
existe. A única forma de explicar o presente é dizendo
o que ele me proporciona.
Antes disso, tenho que falar outra coisa: para ver este presente
é necessário estar... presente! Isso quer dizer:
o que aconteceu daqui para trás é passado, já
passou, e o que acontecerá daqui para frente, tanto faz,
não importa nem um pouco. O querer, o desejo, impede você
de encontrar a chave de acesso. Estar presente é simplesmente
se deleitar com o que já é, neste instante, sem
aspirar, sem julgar a nada e a ninguém – nem a você
mesmo.
E o que este presente proporciona? Em primeiro lugar, paz de espírito,
equilíbrio. Ao mergulhar dentro deste pequeno e infinito
presente, todas as mágoas desaparecem, como a névoa
ao nascer do sol. Acolho todos que me magoaram, sejam eles meus
pais, parentes, amigos, amores. Percebo que quem me magoou não
foi alguém, e que quem ficou magoado não fui eu:
a mágoa simplesmente foi um grito que minha emoção
deu e repercutiu no outro, que também gritou. Mas eu não
sou minha emoção, e um grito tem a duração
apenas de um instante. Depois do grito, não sobra nada
mais, a não ser que eu queira viver na lembrança
do grito. Porém, por estar presente no “presente”,
neste momento não há nada, a não ser... o
presente.
Não vejo mais falta na minha vida. Não há
falta de dinheiro, falta de saúde, falta de compreensão,
falta de amor, falta de companheiros, falta de energia, falta
de estudo, falta de inteligência. O presente me dá
abundância em tudo o que minha mente e meus sentidos permitem
ver e sentir. Tudo aquilo que reconhece, torna-se realidade, pois
já era realidade e eu apenas não estava reconhecendo.
Sou prosperidade, sou saúde, sou compreensão, sou
amor, sou amizade, sou energia, sou capacidade.
O presente trouxe-me fé. A fé por viver sem nada
querer, e assim sem nada precisar, ter tudo. Ter tudo literalmente.
Casas, carros, dinheiro, inteligência, amizade, amor...
Contudo, nada disso me pertence: tudo só chega até
mim quando deixo de querer, agindo reconhecendo que já
tenho, aberto para receber e pronto para devolver aquilo que não
me pertence. E nada me pertence, nem um mínimo grão
de areia. É assim que me percebo, na posse deste meu presente.
Sou um fiel servidor do universo, e assim como um funcionário
eficiente e honesto, utilizo os bens da empresa para que ela funcione
e se desenvolva, sabendo, porém, que apenas trabalho para
a empresa e ela me retribui sempre com justiça a minha
atuação.
Com os presentes nas mãos, percebo que tudo o que tenho
é o suficiente. Não há injustiça nenhuma
acontecendo no universo, nem comigo, nem com os outros. Porém,
o presente me dá o discernimento de que existem aqueles
que, assim como eu em vários momentos, deixam os entregadores
divinos batendo na porta, não abrem, não recebem
o presente e, assim, vêem desigualdade, injustiça
em tudo... parece que sempre existe falta. Como pode existir falta,
se o universo está vivo e pulsando neste exato minuto?
Como pode existir falta num universo que está criando e
se recriando neste exato segundo?
É, querido presente, seguro-o agora em minhas mãos
e o reverencio. Como pude deixá-lo escapar durante tantos
anos? Como pude dizer “agora não tenho tempo”
para você, se não é necessário tempo
nenhum para tê-lo comigo, em minha vida?
Aceito-o, presente, como você é, neste instante,
nem um segundo a mais, nem um segundo a menos.
Não desejo nada, não espero nada, não recuso
nada, pois com o presente, tudo tenho.
Na verdade, nem formulo mais pensamentos sobre o que quer que
seja, porque, neste instante, o presente preenche a tudo.
Deixo o prazer deste presente fluir infinitamente, afinal, o presente
é infinito.
Ajo, vivo e observo o mundo, as pessoas, a natureza: todos têm
o presente ao seu alcance. Os que conseguem deixar os pensamentos
e emoções de lado, somente neste instante, tomam
posse do presente. Os outros, acreditam que estão criando
outras prioridades. Mas qual prioridade pode se impor diante da
esmagadora prioridade do universo, que é viver entregue
ao presente? Como a chama de um fósforo pode se impor diante
do calor do sol?
Por mais que a minha mente vã, seus vãos pensamentos
e vãs emoções possam achar que entendem o
universo, não há nada para ser entendido no presente.
Abraço agora o presente como ele é, e por não
querer entendê-lo, tudo entendo. Por aceitar, sou aceito.
Por respeitar o que tenho e não desejar, recebo. Nada mais
é necessário. Basta o presente.
Alex
Possato
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