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Pôxa, cara. Agora estou iniciando um projeto com que sonho
desde os meus 20 anos. Estou animado, mas às vezes vem
o medo, a angústia de que tenho que ganhar dinheiro, ter
segurança...
- É, amigo, isso é normal. Mas você teve segurança
nestes anos todos trabalhando naquilo que não queria?,
perguntei ao meu amigo de longa data.
- É lógico que não! Perdi vários empregos!
Estressei-me e com isso acabei engordando! Prejudiquei completamente
minha saúde! E posso dizer que sobrevivi, mas nunca me
realizei.
- Então, o medo de realizar um projeto novo que estamos
muito a fim, e o medo de manter a estabilidade ilusória
de um trabalho que não gostamos nem um pouco é o
mesmo?
- Sim, respondeu, meio murcho. É tudo medo...
- Você sabe que, mesmo com medo, que é natural, podemos
fazer tudo o que queremos, não é? E que somente
aquilo que nos toca o coração é que dará
prazer, satisfação e retorno financeiro... Então,
por que insistimos em fazer o que não queremos, achando
que é mais seguro, e você sabe que não é?
- Ah, isso eu aprendi com você! Repetimos os pensamentos
e atitudes que ouvimos dos nossos pais, família, amigos,
televisão, propaganda... E todo mundo repete que não
existe segurança, que o mundo é um perigo, que tudo
está perdido, que temos que ter uma casa e nos trancar
dentro, que existe um monte de pessoas mais preparadas que eu
querendo o meu emprego, que a camada de ozônio vai acabar,
que a água vai acabar...
- É isso! Medo, medo, medo, medo. Apesar da mídia
toda falar que o mundo está um perigo, eu e você
estamos aqui batendo um ótimo papo, absolutamente seguros!
O
medo é uma reação normal, biológica,
que veio se desenvolvendo no homem há 6 milhões
de anos, como forma de sobrevivência da espécie.
Originalmente, todas as reações que o medo provoca
– aumento do batimento cardíaco, injeção
de adrenalina e opióides na corrente sangüínea,
contração muscular, etc – eram destinadas
a preparar o homem-macaco para se defender ou fugir. O medo que
sentimos hoje é igualzinho, sem tirar nem pôr, ao
medo que o nosso vovozinho macaco sentia quando via uma serpente
venenosa.
Qual
é a diferença? Ah, amigos, a diferença é
bem simples: hoje não vemos mais serpentes, tigres, ursos
no meio do caminho, prontos a nos atacarem. Então, a tendência
é procurar perigo em outras coisas. E a mídia e
a sociedade em geral são “craques” em induzir
perigos na mente humana! E tudo isso para comercializar o medo.
Ganhar dim-dim.
Nestes
dias passaram na TV o caso de um seqüestro prolongado. Qual
é a mensagem subliminar que todos os noticiários
passaram? Você, amigo, que está sentado no sofá,
será o próximo... A insistência dos aspectos
negativos da vida faz o medo que, em escala controlada é
um simples mecanismo de defesa, passar a interferir prejudicialmente
em toda a nossa vida. Você não tem mais coragem de
procurar a felicidade, o prazer... Achar um novo amor? Ah, isso
é impossível – todo mundo é picareta!
Largar o emprego? Nunca! Vou morrer de fome! Mudar de casa, de
cidade? Como? Mamãe mora aqui perto, é tão
seguro... Largar amigos e parentes que não acrescentam
nada na nossa vida? Não! Não quero morrer solitário!
O
homem nunca é solitário! O homem é o universo
manifestado na Terra. Está unido a tudo e a todos. O seqüestrador,
a seqüestrada, eu, você e o jornalista somos um só.
Basta não olhar com os olhos carnais e abrir a visão
espiritualista, que a unicidade de tudo brilha imediatamente!
Ou pelo menos compreender que qüanticamente não existe
separação, nem existe matéria! Somos ondas
de energia e informação que se entrelaçam,
mas nossos sentidos não percebem, nem foram feitos para
perceber isso.
Convido
ao amigo leitor não permitir que seqüestrem a sua
auto-estima. Não acredite no que vem de fora. Acredite
no que vem do âmago de você, da sua essência.
Perceba seus pensamentos e emoções, e deixe-os ir...
Eles não são você. São nuances ilusórias
da manifestação do homem na Terra. Por isso, sinta
seus sonhos e vá atrás! A vida na matéria
é muito curta e por isso deve ser vivida com intensidade,
desafio e prazer! Aceite o medo como uma sensação
normal do corpo físico, mas não como uma realidade.
A realidade não é isso. A realidade é a potencialidade
infinita, a interligação de tudo e todos, a inexistência
da morte, a essência da vida!
Alex
Possato
02/05/07l