A
sociedade está mudando. E olha, já faz muito tempo...
Embora o número de casamentos ainda cresça no Brasil
– em 2005 foram por volta de 835 mil, o número de
divórcios e separações judiciais aumenta
numa proporção maior. Foram cerca de 250 mil neste
mesmo ano. E destes casamentos, muitos foram entre pessoas divorciadas
ou separadas, em primeiro ou segundo casamento, e também
pessoas em primeiro casamento que se uniram a divorciados ou separados.
Onde é que eu quero chegar? Bem, a questão é
que ainda hoje, a mídia e diversos setores da sociedade
ainda colocam o modelo de família centrada na figura paterna,
indissolúvel, estável e em harmonia como sendo o
correto. Só mais um dado, para não ficar chato:
cerca de 25% das famílias brasileiras são capitaneadas
por... mulheres! É isso mesmo! Um quarto das famílias
possuem a mulher como chefe do lar!
Imagine come se sente uma mãe ao ver a propaganda de um
pai carinhoso lhe dando presentes, quando na verdade este homem
ao seu lado não existe. Imagine como fica um filho quando
dizem para respeitar a figura paterna, enquanto que a mãe
está no segundo ou terceiro casamento – muitas vezes,
ele tem mais afinidade com o padrasto! Imagine como fica o marido
desempregado, quando a idéia social é que o homem
é o provedor da casa, e é a mulher que trabalha
fora e ganha o sustento do lar...
Estes são apenas alguns pequenos exemplos que chamo de
falta de “enquadramento” na realidade social, que
acarretam centenas, milhares de problemas que vão parar
nos nossos consultórios de terapeutas, psicólogos,
grupos de auto-ajuda, etc. A família está mudando
de perfil, e isto é óbvio.
Longe de querer falar que esta situação é
certa ou errada, a questão é que o divórcio,
a convivência entre irmãos de casamentos diferentes,
a perda do sentido do homem como provedor do lar, o aumento das
tarefas da mulher, enfim, tudo isso deve ser aceito como realidade,
e ponto. Mas a não aceitação que existe dentro
de cada ser que vive esta situação, impulsionado,
repito, pelos conceitos antigos e cegos ainda vigentes, gera conflitos
dentro do lar.
Assumir
um novo papel
Maria
é uma cliente na terceira idade. Filha mais velha de uma
família com três meninas e um menino, sofreu muito
com a rigidez paterna e a ausência materna, que devido ao
alcoolismo do marido, sempre trabalhou fora – e isto era
no final dos anos cinqüenta! Resultado: teve experiências
sentimentais onde tentava desesperada-mente fazer a família
que ela gostaria de ter tido. O objetivo dela não era ser
feliz, em primeiro lugar: era consertar o passado, ter um pai
carinhoso, ser a mãe que ela não teve... Encurtando
a história... deu tudo errado! Casou-se com um cara 10
anos mais novo que ela, que após o segundo filho a abandonou.
Entrou em “parafuso” porque não aceitou que
a sua família naufragara... Não conseguiu se realizar
como mãe nem esposa. Aos seus olhos, a separação
foi o decreto da sua incompetência. É lógico
que existem outros fatores limitantes embutidos aí, mas
o problema familiar foi muito marcante para ela.
Em neurolingüística, dizemos que a mente percebe o
mundo a sua volta em níveis neurológicos, que são
seis: ambiente, comportamento, capacidade, crenças, identidade
e espiritual. Qualquer coisa que o cérebro pensa, está
enquadrado numa destas categorias e elas estão inter-relacionadas:
uma influencia a outra.
No caso da Sra. Maria, por causa de uma crença (ter a família
que ela não teve), adotou um comportamento equivocado (tentar
fazer melhor que seus pais) e isto trouxe infelicidade.
As crenças que nós temos sobre nós mesmos,
sobre o papel dentro da nossa família, o nosso papel dentro
da sociedade, são idéias colocadas sempre por alguém
de fora. Muitos “alguéns”. Como eu mostrei
acima, a crença que a mídia fala sobre a família
não condiz com a realidade que existe hoje, nem no Brasil,
nem no mundo. Quando aceitamos e levamos a sério uma crença
que está fora da realidade, e durante a nossa vida, durante
a nossa jornada, acabamos tendo situações que contradizem
esta crença – no exemplo da família, separamos,
ou o homem fica sem trabalho, entre outras situações
– imediatamente vem um sofrimento interior gigantesco!
Torna-se necessário rever as nossas crenças, e na
medida do nosso discernimento, mudá-las. Olhe para dentro
de si. Veja quantos problemas são provocados devido a crenças
que não são reais. Não somente em relação
a família. Temos diversas crenças que podem ser
questionadas, em relação ao trabalho, à sociedade,
à violência, à política, às
drogas, ao prazer, ao ócio, à espiritualidade, à
educação dos filhos, aos laços de amizade...
Mas as crenças que mais nos afetam são aquelas que
tem relação a nós mesmos: quem sou eu, quanto
valho, quais são minhas habilidades, até onde posso
chegar... Em neurolingüística, e principalmente no
coaching, não dizemos que determinada crença está
errada ou certa. Simplesmente colocamos o cliente cara a cara
com a crença e perguntamos: viver baseado nesta crença
está lhe fazendo bem? Não? Como você quer
se sentir a partir de agora? O que você quer realmente?
Toda pessoa tem a opção de buscar a alegria, a felicidade,
o prazer, o dinheiro. Existem crenças que adotamos que
conduzem para estas metas. Existem outras crenças que desviam
deste caminho. Quando uma pessoa assume querer a felicidade, assume
não permitir mais que os problemas limitem sua vida, começa
a sentir vibrar dentro de si algo como uma missão, um sonho,
e ao se entregar a esta missão (ser feliz), a crença
limitante (que bloqueia) naturalmente vai perdendo a força...
As idéias (crenças) que temos dentro de nós
sobre família, sociedade, dinheiro, poder, orgulho, e qualquer
outra que tenham relação com o nosso desenvolvimento
pessoal começam a mudar. E nossa vida começa a fluir...
Alex
Possato
15/05/2007